Voltar continuamente às suas origens

A lufa-lufa da acção leva muitas vezes a esquecer a necessidade, que toda a obra tem, de voltar continuamente às suas origens, ao seu espírito, à sua mística, de pensar no seu futuro. A arrancada fez-se com grande entusiasmo; depois, por falta de tempo, pela absorção do movimento diário, caiu-se no automatismo. Um Chefe de Estado ou um industrial hábil manteriam a seu lado um grupo de homens de reflexão, apenas com o encargo de continuamente velar pela pureza primitiva da obra em causa, e mantê-la em moldes de inteligência e de espiritualidade. Hoje conviria multiplicar os gabinetes de estudo e de conservação da finalidade em todos os organismos colectivos, considerando a sua função não como amável sinecura, mas como uma das funções mais necessárias de todas.
(Bussy-Bobin)

O chefe nunca deve fazer tábua rasa do passado. Quando toma nas mãos as alavancas do comando, não interessa tudo vasculhar e sobretudo convém não dar a impressão de que se pretende fazer alterações pelo simples prazer de alterar qualquer coisa. Mas, por outro lado, ninguém lhe pode levar a mal que deseje os progressos que, segundo a experiência ou o estudo, se impõem, sem nunca se deixar deter pela objecção “isto sempre se fez assim”. O passado interessa para explicar o presente, mas não conseguiria amarrar aqueles que querem preparar o futuro.