Um grupo sem chefe é um absurdo

Não há dúvida de que o “espírito de grupo” é coisa excelente. Um chefe, por mais dotado que seja, não pode saber tudo, tudo conhecer e ver; e o zelo posto no trabalho por todos os seus colaboradores estará em proporção com o sentimento que tiverem da sua responsabilidade na obra que tem de realizar. Há, no entanto, uma falsa noção de equipa, que pretende fazer dela um absoluto absorvente e condicionador do papel do chefe.

Um grupo sem chefe é um absurdo, mesmo – e sobretudo – se é constituído por pessoas de grande valor. Quanto mais forte for a personalidade dos membros do grupo, mais necessidade há dum chefe para canalizar as suas energias, orientá-los para objectivos determinados, aceites por todos, e ajudá-los a sincronizar a sua acção; doutro modo, correr-se-á o risco da perda de forças, da dispersão de esforços, da invasão de campo alheio e, sobretudo, das brilhantes tiradas individuais, sem atender ao vizinho, o que terá como resultado comprometer a harmonia e o equilíbrio do conjunto.

“Não se espere nada de decisivo dos movimentos colectivos, da actividade de associações generosamente votadas à elaboração dum ideal. Todas estas boas vontades anónimas não conseguem mais do que arrotear o terreno. São os grãos que produzirão a seara, e os grãos são os chefes, os homens de coração puro e de vontade realizadora”.
(Paul Baudoin, em Revue des jeunes, 10-4-1939)