Perante as coisas tais quais são

O grande chefe coloca-nos perante as coisas tais quais são; com. uma diferença apenas, mostra-nos também que dali podemos partir para outras coisas; não a seu bel-prazer, mas segundo o bem público; não como visionário, impressionado pela imagem que projecta diante de si, mas como homem clarividente que traça a rota pelo melhor terreno. Submissão, para ele sobretudo, que prefere a realidade à sua ideia, como prefere a missão a si próprio.

(Henti Pourrat)

 

 

Possuir o sentido da realidade é também desenvolver em si próprio aquele sexto sentido que permite ver num relance as novas possibilidades apresentadas numa mudança de situação, para as utilizar ao tomar nova decisão adaptada às circunstâncias. É preciso saber, na expressão de Talleyrand, “aceitar o inevitável para fazer o utilizável”.

O chefe deve manter a sua intuição e fazer com que a sua capacidade construtiva seja temperada com um sentido prático das possibilidades de realização. Não basta lançar-se para diante, sem reflexão, contando unicamente com a sua audácia ou com a sua boa estrela, porque, segundo confessou o próprio Napoleão, “com o audaz, tudo se pode empreender, mas nem tudo se pode fazer”.