Para o bem comum

Um chefe deve ser grande por nascimento ou fazer-se; mas não se é grande senão na medida em que se trabalha desinteressadamente. Como afirma Lacordaire, “tudo o que se fez grande no mundo foi feito sob o signo do dever: tudo o que se fez de miserável foi feito em nome do interesse”.

A missão do chefe é-lhe confiada essencialmente para o bem comum; nem o capricho, nem o interesse, nem o orgulho devem ditar ao chefe as suas decisões.

O homem carece de apoiar-se em alguma coisa que o supere. Procura um ser superior que o guie e com o qual possa contar, porque poucos homens sofrem a ideia de viver isolados. Portanto, o súbdito terá facilmente a tendência de atribuir ao seu chefe qualidades sobre-humanas. Tanto mais facilmente será levado a isso quanto é certo este último ser tentado a favorecer tal tendência que agrada ao seu amor-próprio, porque gosta de “desempenhar um papel”, de marcar a sua “superioridade”. Mas é um jogo perigoso este, porque, cercando-se de aduladores, que não vêem senão seus interesses, priva-se do auxílio que fornece a crítica sã de pessoas que podem ver as coisas sob outro aspecto; perde assim o contacto com o meio em que vive. Daqui em diante deixa de dirigir com conhecimento de causa.