Alguns conselhos

Alguns conselhos do general de Maud’huy:

– Nunca é aconselhável punir num momento de irritação; como regra, espere-se o dia seguinte para fixar o castigo.

– Ouçamos o faltoso e de boa fé procuremos com ele as circunstâncias que podem ser atenuantes.

– Quando chegarmos à conclusão de estarmos a tratar com um indivíduo mau, inacessível aos bons processos, castiguemos,., castiguemos com vigor, até que mude ou desapareça.

– Façamos o possível por que os maus nunca se juntem, porque para os maus como para os bons, a união faz a força.

– Duvidar, sem motivo, da palavra dum dos nossos súbditos seria uma injúria gratuita. Se percebermos que fomos enganados, assiste-nos o direito de o punir tanto mais severamente quanto maior confiança lhe tivermos mostrado.

Antes de fixar um castigo

Antes de fixar um castigo, é muitas vezes vantajoso interrogar à parte o culpado e ouvir as suas exposições sem o interromper, procurando penetrar no seu pensamento e nas circunstâncias que ocasionaram a sua acção. Então, será mais fácil despertar as boas disposições que existem muitas vezes em estado latente na alma do culpado, e, se a punição se impõe, quer como advertência salutar quer como exemplo, fazer com que aceite o lado bom dela como um meio para se reabilitar.

Origem da falta

A falta pode ter origem em muitas razões:

1. – A ordem inicial foi mal concebida pelo chefe; é portanto aí que se impõe a correcção.

2. – A ordem fora bem concebida, mas foi mal compreendida pelo súbdito. Ambos têm culpa: o chefe que devia ter-se assegurado de que fora bem compreendido, “fazendo repetir a ordem”; o subordinado que aceitou o encargo sem saber ao certo se tinha apreendido bem a vontade do seu chefe. Portanto, cada um, em seu lugar, deve sentir-se responsável.

3. – A ordem era correcta, a transmissão boa, mas a pessoa encarregada de executar a tarefa não possuía as qualidades requeridas para dominar as dificuldades encontradas. Ainda aqui a falta é dupla: o chefe não devia ter confiado um encargo muito difícil a seu súbdito; este, por outro lado, não devia tê-lo aceitado ou pelo menos devia ter chamado a atenção, ao ver que não estava em condições de cumprir a missão que se lhe havia confiado.

4. – Os pontos l, 2, 3 estão todos em ordem, mas o subordinado não se entregou ao trabalho.

Neste último caso, e neste caso somente, a falta recai inteiramente no súbdito, a não ser que o seu chefe se sinta também responsável por não ter sabido despertar nele o interesse necessário.

Libertar o culpado da falta

No espírito do chefe, a reputação não deve seguir constantemente o delinquente, e as sanções devem ser consideradas mais como meio de libertar o culpado da falta cometida do que exercer contra ele uma medida coercitiva. Assim como assim é necessário que o delinquente saiba que, uma vez expurgado lealmente da sua pena, será considerado como se nunca tivesse merecido repreensão.

Sobretudo nunca dar ao homem a impressão de que se trata dum “assinalado” (mesmo que seja objecto de observação muito atenta), de que todos os seus actos, são criticados, por princípio, mas provar-lhe, pelo contrário, que, se ele proceder bem, ter-se-á muito gosto em lho dizer. É assim que se iniciam as recuperações.
(Poumeyrol)

Destruir uma vontade é sempre tornar estéril o ser, mas nem sempre é aniquilar a revolta.