Bom humor

Muitos chefes esquecem-se de respeitar a competência de seus súbditos.

De certo, quando a casa está a arder, extingue-se o fogo antes que chegue a levantar labareda! É um dever intervir directamente quando a coisa “arde”, mas então torna-se indispensável avisar imediatamente os intermediários, aqueles por cima de quem “se saltou”, porque se trata duma ingerência directa no seu domínio. Não procedendo deste modo, tais intermediários não mais se podem sentir responsáveis, visto que se alteram as suas disposições sem os consultar e sem os orientar. É arrebatar-lhes duma só vez todo o prazer do trabalho e diminuir-lhes a autoridade sobre seus subordinados.

Seja qual for a natureza da indisposição moral que possais recear em vossos colaboradores, encontrareis excelente remédio preventivo no bom humor. Lyautey recomenda “trabalhar em beleza”; acrescentarei que é preciso também “trabalhar em alegria”.

Quando as consequências estão à vista

Punir é fazer justiça, e não forçosamente perder simpatias, porque os homens possuem o sentido da justiça, e alguns não compreendem o alcance real dos seus actos senão quando as consequências estão à vista.

A sanção automática geral, ligada à inobservância duma lei, não passa dum meio empírico rudimentar, indispensável por vezes, mas sem deixar de ser uma forma primitiva de justiça cega. A punição, para ser eficaz e justa, deveria adaptar-se a cada caso particular.

Um franzir de sobrolho

Um olhar, uma palavra, um sorriso ou um franzir de sobrolho, bastam a um chefe amado para exprimir a sua satisfação ou a sua reprovação. Um castigo exemplar, dado a propósito, atinge então seguramente o seu objectivo.

O chefe que eleva frequentemente a voz e tem sempre a ameaça na boca depressa perde a sua autoridade. Não há nada que destrua tanto a confiança e o gosto do esforço como as repetidas admoestações e a ironia mordente.

Punir é um dever

Punir não é só um direito, é sobretudo um dever, por vezes doloroso, mas ao qual ninguém deve furtar-se. O homem punido tem obrigação de dar-se conta de que não somos nós que o castigamos, mas a lei e os, regulamentos de que somos os representantes.