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Arte de organizar
Antes de significar dirigir, ordenar quer dizer sobretudo pôr em ordem, isto é, organizar.
Um coronel não comanda 3 000 homens, um chefe de batalhão mil, um capitão 250. O coronel comanda 3 batalhões, o comandante quatro companhias, o capitão quatro pelotões; o chefe de secção quatro esquadras. Não esqueçamos isto! Instruamos nossos subordinados directos e comandemos por seu intermédio; sobretudo não façamos o que lhes compete; não faríamos o que nos compete a nós. (De Maud'huy).
Na vida como no exército, o técnico está em importância geral, depois do organizador. Um dos nossos generais que desagradavelmente se notabilizou no passado, Bazaine, sofreu muitos dissabores porque preferia desempenhar um cargo de ajudante, indo a ponto de rectificar um tiro, corrigir a posição duma arma ou a posição dum atirador, sem nada atribuir aos seus generais, agrupados à sua volta, e que solicitavam, mendigavam quase, uma ordem ou uma ideia de conjunto capaz de alimentar a sua própria acção.
Se deseja estar à altura do seu lugar, o chefe deve primeiramente organizar o seu próprio trabalho e encontrar o tempo necessário para se ocupar dos problemas que lhe incumbem como chefe, a saber: a divisão do trabalho e a distribuição judiciosa das funções em relação com as aptidões dos diferentes colaboradores, depois a coordenação dos movimentos em função da ideia directriz que deve realizar-se.
Quanto mais um ser cresce em perfeição tanto mais se multiplicam os seus órgãos e se diferenciam no seu esforço: um órgão, uma função. É a lei da divisão do trabalho cuja inobservância conduz à confusão.
O trabalho, sendo claramente diferenciado, pelos executantes, tem em conta as aptidões de cada um. Daí resulta um quadro de organização que fixa a cada qual a sua missão, o seu substituto, os seus colaboradores, o seu superior. Um princípio apreciado por Fayol resume-se nos seguintes termos: "para uma acção determinada um agente não deve receber ordens senão de um único chefe". Assim fica assegurada a unidade de comando, diferente da unidade de direcção, mas também necessária, sendo a violação desta lei uma das causas mais (requentes de orgânicas sem eficiência, de hesitações, desordens, atritos, conflitos. A organização inibe, portanto, o superior maior de agir sem intermediários, mas exige igualmente uma categórica definição dos poderes.
Em todos os conselhos há um escolho que o chefe deve evitar: o de falar muito. Os chefes que falam sempre e não sabem escutar e deixar falar os seus súbditos nunca saberão exactamente o que se passa, e, o que é mais grave, extinguem toda a iniciativa nos seus colaboradores.
É graças ao concurso de todos os serviços e de todas as competências, que se elabora o programa das reuniões de conselho. Cada um dos agentes interrogado sobre o próximo passado, pondera o presente que o envolve e formula o futuro que visiona. Quando a essa experiência e a tal balanço se acrescentar a ciência dos especialistas, então, tendo informação de tudo e tudo considerado, o chefe exercerá a sua função coordenadora e fixará os seus intentos.
Ao dar ordens, evitai as hesitações, as falsas manobras, as mudanças brutais de orientação sem motivo proporcionado.
São os caprichos dos chefes que geram a incerteza da acção.
Quando o chefe soube criar um clima de confiança, as suas ordens e as suas directrizes são compreendidas, logo que abre a boca. Em face duma dificuldade imprevista, os subordinados adivinham o que o chefe teria feito; todos permanecem calmos e optimistas.
Se, para obviar à lentidão inevitável da via hierárquica, se recorre à passagem imediata dum serviço para outro, é preciso que o chefe superior o autorize, e que lhe sejam prestadas contas.
Não há acção eficaz sem organização, mas esta não existe senão onde há hierarquia. Todos devem colaborar para o fim previsto, mas sem que cada um saia do seu lugar.
Uma das preocupações dominantes do chefe deve ser colocar no lugar que convém cada um dos homens de que dispõe. Encontrar para cada um o seu encaixe, descobrir, tendo em conta o bem geral e a boa marcha do conjunto, a situação em que possa responder afirmativamente às duas questões seguintes: Estará bem? - Fará bem?
Assim como existe gama de valores, há também escala de cargos. O essencial é estabelecer a concordância entre as exigências dum posto e as possibilidades dum homem. Tal será excelente comandante de companhia mas nunca poderá ser comandante de regimento.
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Onde não se diga outra coisa, os pensamentos apresentados são citações de Gaston Courtois (L´art d´être chef)
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