O verdadeiro chefe nunca fala de si

Sejam quais forem as qualidades, o chefe não é um super-homem e cedo ou tarde o subordinado se dá conta de que tinha demasiada estima por seu superior; se este é modesto, o inferior não se lastimará senão consigo próprio do seu erro de óptica e em nada modificará a intensidade da sua dedicação. Se, pelo contrário, presume ter sido enganado por promessas que não foram mantidas, verifica-se nele uma reacção violenta que pode ir até ao desprezo pelo chefe.

Um chefe não ilude por muito tempo aqueles que dirige. Após algumas tentativas, descobrem-no. Com ser humilde consigo mesmo, o chefe torna-se mais forte perante os outros; verdadeiro consigo próprio, pode exigir dos outros que sejam verdadeiros diante dele. Há uma maneira de dizer a um homem, olhando-o, sem dureza, nos olhos: “não me conte isso a mim”, que perde toda a importância. Um chefe não ilude por muito tempo aqueles que dirige. Após algumas tentativas, descobrem-no. Com ser humilde consigo mesmo, o chefe torna-se mais forte perante os outros; verdadeiro consigo próprio, pode exigir dos outros que sejam verdadeiros diante dele. Há uma maneira de dizer a um homem, olhando-o, sem dureza, nos olhos: “não me conte isso a mim”, que perde toda a importância. Depressa se reconhecem os chefes que não se deixam “levar pelo canto da sereia”. A esses ousam confessar suas fraquezas não para as evitar, não para as glorificar, mas para perguntar, como ao médico: “como poderia eu curá-las?”.
(Jean-Jacques Chevalier)

O verdadeiro chefe nunca fala de si; nunca diz “eu”. Inclui-se na colectividade e imagina “nós”. Enquanto o “eu” fica na sua preocupação central, constitui-se a si próprio em objectivo final da sua acção e explora mais ou menos conscienciosamente os outros em seu proveito. Não compreende a sua missão senão a partir do momento em que se desprendeu de si próprio para se dar sem reservas ao interesse geral.