O chefe cioso do seu poder mata

O erro do chefe estaria em preferir actuar por si próprio a confiar nos seus colaboradores, receando que o encargo fosse mal desempenhado. Por um lado, o colaborador assim colocado à margem perde toda a iniciativa e todo o gosto da acção; por outro lado, não podendo dar-se a tudo, concentra seus cuidados num pormenor e acaba por perder de vista o conjunto de que tem a responsabilidade.

Um chefe deve aceitar que a tarefa por ele dirigida seja menos bem executada do que se fosse ele a realizá-la; mas dia virá – e mais cedo talvez do que pensa – em que seus colaboradores, entregando-se ao trabalho que lhes foi confiado, tomar-se-ão de brios e realizá-los-ão melhor, como ele não seria capaz.

O verdadeiro chefe tenta, por meio de contacto pessoal, de troca de impressões num plano amigável, educar os seus subordinados e fazê-los comungar nas suas ideias-directrizes. Ao cabo de certo tempo, verificará que os seus chefes assim formados adquiriram pouco e pouco os seus reflexos e poderá multiplicar a sua influência, reservando para si o tempo de pensar sem desprezar por isso o contacto com a realidade.

O chefe cioso do seu poder mata almas de chefes entre os seus colaboradores.