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O chefe

O que faz o chefe

Decisão e iniciativa

Calma e domínio de si

Previdência

Bondade de coração

Firmeza

Formar e educar

"Controlar"

Neutralizar resistências

Trabalhar em grupo

Necessidade de chefes

Fé na sua missão

Disciplina

Sentido da realidade

Conhecer os homens

Respeito pelo homem

Exemplo

Organizar

Repreender

Animar e recompensar

O segredo do chefe

Missão: servir

Autoridade

Energia realizadora

Competência

Benevolência

Justiça

Humildade

Dirigir

Punir

Fazer-se ajudar

 

 

  

Necessidade de chefes

 

Uma assembleia é incapaz de comandar. Grupo sem chefe é corpo sem cabeça. Grupo sem chefe é rebanho, rebanho que anda à deriva e à mercê do primeiro pânico.

 

Uma assembleia, excelente para fiscalizar, é sempre imprópria para agir. Um grupo não é capaz de comandar nada, nem mesmo um almoço (Maurois, Dialogues sut le Commandement).

 

A despeito de todas as teorias igualitárias, muitos homens sentem instintiva necessidade de apoiar-se em alguém que os supere. Se não têm ninguém que os compreenda e encoraje, tornam-se hesitantes e incertos. A presença do chefe digno deste nome constitui para cada um apoio, força e segurança.

 

Sem chefe que ordene e coordene, sem chefe que pense e transmita aos seus subordinados o seu pensamento, como a cabeça transmite aos membros o seu influxo nervoso, qualquer grupo humano se esgota em esforços sobre esforços que, neutralizando-se, acabam sempre em fracasso, tanto mais desanimador quanto maior era a boa vontade de que cada qual estava impregnado, fracasso de que Babel e a corte do rei Pétaud são imagens populares.

 

Quando falta o chefe, reina a anarquia, e a anarquia serve apenas para destruir, nunca para construir.

 

O chefe, sinal sensível da autoridade, é-o também da unidade. Quando manda, coordena; impede que um grupo se desagregue, se decomponha e morra.

 

Permita-se que um grupo fique, por algum tempo, sem chefe; dividir-se-ão as melhores vontades, dispersar-se-ão as energias mais bem temperadas, e aos atritos seguir-se-á a apatia.

 

Para unir eficazmente os homens em roda duma missão que se tem de cumprir, há que descobrir um chefe, princípio de unidade e de coesão, capaz de revelar e impor a todos o bem colectivo, capaz também de os prender a todos e de os encorajar na consecução dele.

 

Em toda e qualquer sociedade existem tantos elementos de discórdia quantos os membros, porque cada um traz consigo a tacanhez do seu egoísmo. Os conflitos, as desinteligências, a incúria universal encarregar-se-ão de, bem depressa, tudo desagregar, se a causa do bem comum ou da missão que se deseja cumprir em prol do comum não estiver garantida por um chefe responsável.

 

Todo o agregado humano, seja qual for, tem necessidade de um chefe, mas de um chefe que se faça obedecer. A ele compete a coordenação das actividades, a fim de se obter o máximo rendimento. Ainda que generosas e desinteressadas, as dedicações que não são coordenadas levam fatalmente ao fracasso, tanto mais doloroso quanto mais sinceras e bem intencionadas forem as pessoas de que se trate.

 

Para fazer obra de monta, há que reunir esforços que, dispersos, ficariam estéreis. Não é porque o caminho indicado pelo chefe seja o melhor em si que é preciso segui-lo - há, por vezes, mil maneiras de proceder, também boas - mas é o melhor porque ele o indica e porque será o único que há-de produzir a união fecunda das vontades e dos corações.

 

Um grupo medíocre pode tomar alento e ultrapassar-se ao sopro dum chefe de valor. Um grupo excelente pode estiolar e desfazer-se na esteira de um chefe medíocre cujas atitudes amolecem as boas vontades e matam o entusiasmo.

 

Não é necessário invocar, para justificação do princípio da autoridade, qualquer contacto social primitivo ou o consentimento positivo dos súbditos. Trata-se duma visão superficial do problema. Devendo a acção dos homens ser unificada, coordenada, para que do esforço de muitos resulte um esforço único, a autoridade é uma das condições da vida humana. Baseia-se na própria natureza das coisas, consequentemente em Deus, princípio da nossa natureza e do nosso ser.

 

Porque é autor de todas as coisas, Deus é Supremo Senhor: a Sua autoridade é soberana; quis, porém, associar os homens à sua acção no mundo.   Reside aqui a grandeza da missão do chefe: a sua autoridade participa da autoridade divina.

 

Não há dúvida de que o "espírito de grupo" é coisa excelente. Um chefe, por mais dotado que seja, não pode saber tudo, tudo conhecer e ver; e o zelo posto no trabalho por todos os seus colaboradores estará em proporção com o sentimento que tiverem da sua responsabilidade na obra que tem de realizar. Há, no entanto, uma falsa noção de equipa, que pretende fazer dela um absoluto absorvente e condicionador do papel do chefe.

 

Um grupo sem chefe é um absurdo, mesmo - e sobretudo - se é constituído por pessoas de grande valor. Quanto mais forte for a personalidade dos membros do grupo, mais necessidade há dum chefe para canalizar as suas energias, orientá-los para objectivos determinados, aceites por todos, e ajudá-los a sincronizar a sua acção; doutro modo, correr-se-á o risco da perda de forças, da dispersão de esforços, da invasão de campo alheio e, sobretudo, das brilhantes tiradas individuais, sem atender ao vizinho, o que terá como resultado comprometer a harmonia e o equilíbrio do conjunto.

 

"Não se espere nada de decisivo dos movimentos colectivos, da actividade de associações generosamente votadas à elaboração dum ideal. Todas estas boas vontades anónimas não conseguem mais do que arrotear o terreno. São os grãos que produzirão a seara, e os grãos são os chefes, os homens de coração puro e de vontade realizadora" (Paul Baudoin, em Revue des jeunes, 10-4-1939}.

 

 

 

Onde não se diga outra coisa, os pensamentos apresentados são citações de Gaston Courtois (L´art d´être chef)