Não enveredar por falso caminho

Ter uma grande ideia, alimentar um belo ideal, é bom; mas tudo isto não é nada, se o ideal se limita a sonho, e a ideia a visão do espírito. E é por isso que o chefe, para não enveredar por falso caminho, para evitar toda e qualquer desligação entre a inteligência e a vida, deve cultivar em si o sentido da realidade.

A função de chefe não convém ao sonhador que, vivendo na estratosfera, esquece que tem a cabeça sobre os ombros e os pés sobre a terra.

É mister que não convém ao pessimista mórbido que, não querendo ver senão o lado mau das coisas, das pessoas e dos acontecimentos, se tornou incapaz de descobrir quaisquer possibilidades ocultas que se lhe possam deparar.

É ofício que não convém ao optimista ingénuo, cuja natural candura o coloca à mercê dos mal intencionados e dos charlatães.

E função que não convém ao falador que julga ter actuado porque falou, e não se dá conta de que, quem paga em palavras, alimenta-se de ilusões.