Na hora de perigo

Instintivamente, na hora de perigo, fita-se a cara do chefe: se nele se surpreende enervamento ou angústia, tal impressão reflecte-se na colectividade, com um coeficiente tanto mais forte quanto mais amado é o chefe e se julga poder contar com ele.

Um dos generais de Verdum, que no seu posto, esperava do comando as notícias de ataque e não podia saber senão o que lhe dizia, fraccionadamente, o telefone, nota: “a inquietação devora-me, a angústia tortura-me, e no entanto, se desejo manter o meu prestígio, irradiar confiança, tenho de mostrar aos olhos inquietos que furtivamente me interrogam uma máscara impassível. O meu gesto deve continuar sóbrio, a minha voz firme, o meu pensar lúcido. Não conheço prova mais dura, e também mais decisiva, para a vontade do chefe”.
(General Passaga, citado por Féricard em Verdum)

A calma dá imediatamente a impressão duma vontade que sabe o que quer e que não se deixará desviar do seu intento. Um olhar calmo e tranquilo basta muitas vezes para inspirar uma espécie de insegurança aos insubmissos: sentem então por instinto que não terão a última palavra.