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O chefe

O que faz o chefe

Decisão e iniciativa

Calma e domínio de si

Previdência

Bondade de coração

Firmeza

Formar e educar

"Controlar"

Neutralizar resistências

Trabalhar em grupo

Necessidade de chefes

Fé na sua missão

Disciplina

Sentido da realidade

Conhecer os homens

Respeito pelo homem

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Organizar

Repreender

Animar e recompensar

O segredo do chefe

Missão: servir

Autoridade

Energia realizadora

Competência

Benevolência

Justiça

Humildade

Dirigir

Punir

Fazer-se ajudar

 

 

  

Firmeza

 

A firmeza é um excelente método de comando quando é uma maneira de ser habitual, mas pouco eficaz quando procede por lances inconsiderados. O chefe tem o direito de ser exigente, mas evite os acessos bruscos de cólera, mantenha a firmeza na serenidade.

 

O chefe deve merecer a reputação de alguém que sabe o que quer, querendo-o até ao fim - o que não impede de, ao mesmo tempo, ser capaz de ouvir um parecer justificado de seus subordinados e de corrigir os erros das suas decisões ou das suas directrizes.

 

Não há nada tão prejudicial como a fraqueza e a lassidão, e nada mais humano do que a firmeza. Os regimes de pusilanimidade são os que ficam mais caros ao mundo e, decididamente, são aqueles que podem acabar e que realmente acabam em atrocidade. Não gosto que esteja no poder um homem bondoso. Deus permita que os nossos chefes sejam firmes, é tudo quanto lhes pedimos. Não há nada mais perigoso para o súbdito do que a bonomia do superior. (Péguy)

 

Este homem (o capitão) era duro; justo, sim, mas duma justiça severa e não indulgente. Nunca nenhum dos seus subordinados pôde acreditar que fosse possível não fazer mesmo ou fazer apenas metade daquilo que ele tinha ordenado, e cada um sabia ou melhor sentia que se expunha completamente a uma bala na cabeça em caso de falhar. Todas as manhãs, quer estivesse de serviço quer não, percorria a sua companhia, a largos passos, exercendo a sua justiça, como ele dizia. Não lhe passava nada e não tolerava que um homem ou que um graduado deixasse de executar a sua tarefa. Acompanhava-o frequentemente, e por vezes achava-o muitíssimo rigoroso, parecia-me que em seu lugar, teria sido mais condescendente; mas hoje vejo que ele tinha razão. É sempre boa a regra inflexível, porque previne a desordem e ser severo é ser benéfico. Além disso, a sua severidade aumentava com o grau, porque a seus olhos um grau constituía um acréscimo de obrigações antes de ser um aumento de soldo ou de bem-estar; e certamente não se privava nada de repreender vigorosamente os seus subalternos e os seus oficiais. Eu considerei-o como os outros, mas em verdade sem nunca ter ressentimento contra ele. (A. Bridoux, Souveniers du Temps des Morts)

 

Existe um outro género de colaborador ainda mais perigoso, porque mais difícil de reconhecer. Diante de seus chefes, é serviçal, submisso, sempre de acordo, sem personalidade. Frente aos seus subordinados, é duro, opressor, distante, e desconfiado. Não suporta que os outros triunfem. É neste momento que deve intervir a firmeza clarividente do chefe. Deve "estimar cada um pelo seu justo valor>, sem se deixar deslumbrar pelo zelo ou deferência deste ou daquele.

 

Sede benévolos mas nunca ingénuos. Estai sempre dispostos a ter confiança, mas não a tenhais senão com conhecimento de causa.

 

Ao colocar os vossos colaboradores em condições óptimas para triunfar, graduai as suas responsabilidades e a sua autoridade. Mais vale aumentar-lhas do que ser-se obrigado, perante os revezes, a diminuir-lhas.

 

O chefe é alguém que não se deixa manobrar...

 

Continuai até que tenhais obtido qualquer resultado. Nada se abandona, enquanto se não chegou ao fim. Quando não se obtém resultado, nada feito. Há que chegar ao fim. (Foch).

 

Muitas vezes acontece que os subordinados, todos servindo e amando de boa vontade o seu chefe, se invejam uns aos outros e disputam entre si com demasiada rudeza os sinais da sua estima. O "patrão" deve adivinhar e apaziguar tais susceptibilidades que perigosamente enfraquecem um corpo. Assim como qualquer motorista sabe, ao ouvir o ruído do seu motor, que um dos cilindros não funciona bem, assim o chefe-nato, quando sente que o grupo não dá mais, procura a causa e encontra-a. Tal causa é muitas vezes insignificante: poeira numa peça, encolher de ombros que não passava dum jeito nervoso e que foi tomado por um insulto. Lyautey tinha o instinto destas coisas: "Um fulano desses está nas costas da mão", dizia ele, e imediatamente, com suavidade e firmeza, fazia sentir o freio ao rebelde. (Maurois)

 

O chefe deve ser homem de carácter. Ter carácter não é possuir mau carácter como muita gente julga. É saber manter livre e independente o seu espírito, é dirigir sem procurar satisfação imediata como aquela, aliás legítima, de ser amado. É, quando se adquiriu a certeza duma verdade, saber manter-se, a todo o custo, aconteça o que acontecer. É saber ficar só, na barra, à espera, quando tudo falha à sua volta. E finalmente saber ser imparcial para consigo próprio e reconhecer seus erros.

 

Onde não se diga outra coisa, os pensamentos apresentados são citações de Gaston Courtois (L´art d´être chef)