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Exemplo
O chefe é um ponto de mira. Os olhos de seus subordinados estão constantemente sobre ele, e o seu exemplo tem tanto mais importância quanto mais apreciado é.
Exempla trahunt: os exemplos arrastam. Concretizam um acto ou uma atitude que não passava, até então, duma visão abstracta do espírito.
Os homens nunca se conduzem com prescrições da razão pura; têm necessidade de ver o seu ideal encarnado num homem que os leve após si pela sedução do seu exemplo.
Um chefe que dá exemplo pode pedir tudo aos seus homens, porque acaba por merecer e conquistar a sua confiança.
A vida do chefe fala sempre mais alto aos homens do que a sua voz; se a sua vida está em contradição com as suas palavras, há um ilogismo que escandaliza os fracos e revolta os fortes.
O sentido da autoridade, na acção e nas horas perigosas, transforma-se: aquela que promana da categoria do chefe diminui, enquanto aumenta aquela que provém do seu carácter e do seu exemplo.
Um chefe que exige dos outros um trabalho duro deve ele próprio ser um exemplo de trabalho. Não se obtém facilmente a colaboração dos outros a não ser que se exija ainda mais de si mesmo.
Um chefe que se abandona à lei do menor esforço permite tacitamente que seus homens procedam de igual modo.
Quando um subordinado vê o superior trabalhar sem tréguas, desprezar o conforto legítimo, desdenhar da riqueza e das honras; quando sabe que uma única paixão o anima: o bom andamento do grupo e a felicidade de seus súbditos, então está conquistado por semelhante generosidade e não quer recusar mais nada àquele que nada se poupa.
Aquele que julga ter sempre feito o suficiente em relação à recompensa que recebe será sempre um subalterno, jamais um chefe.
Muitas vezes ouve-se dizer que basta dar bom exemplo no serviço e que fora dele o chefe pode fazer o que entender. Não, o que o subordinado deve encontrar no seu chefe é, antes de tudo, um exemplo no trabalho, mas também na maneira de resolver os problemas que a vida põe em geral; a influência não será profunda, se o exemplo não for total.
Em tempo, a minha divisa era: ciência e consciência. Ainda hoje a conservo, mas preferindo dizer: consciência e ciência. Sim, antes de tudo consciência. É o que mais importa (Foch).
Quanto mais alto está colocado um homem, menos frequente é o "controle" de seus superiores; também a consciência do chefe deve progredir à medida que, subindo na hierarquia, se vai tomando mais livre e mais solitário.
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Onde não se diga outra coisa, os pensamentos apresentados são citações de Gaston Courtois (L´art d´être chef)
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