Essa falsa mística do chefe

“Quantas vezes, diz M. de Tarde, temos ouvido Lyautey levantar-se, em termos violentos, contra essa falsa mística do chefe que faz tudo por si mesmo, do chefe que só em si confia, do chefe que trabalha dezoito horas diárias. Este pretenso chefe, dizia ele, não sabe mandar: – Se ele próprio faz tudo, é porque não sabe ensinar os outros a trabalhar e a. ajudá-lo; – se apenas confia em si, é que não sabe despertar confiança nos outros, designando-lhes a sua tarefa; – se trabalha dezoito horas por dia, é que não sabe ocupar as suas horas”. “Um chefe, dizia ainda, não está nunca absorvido; tem sempre tempo”.

O chefe não se ocupa dos pormenores aos quais podem dedicar-se tão bem como ele e melhor do que ele os agentes subalternos, reservando-se para o estudo dos problemas gerais que só ele pode resolver. Coíba-se portanto de julgar que tal coisa está mal feita, se não lhe tocou. Longe de se agastar à medida que as responsabilidades crescem, trata de assegurar a liberdade de pensamento e de acção mais necessária agora ao exame dos fins supremos; e porque não lhe resta nunca muito tempo nem forças para as questões que solicitam constantemente a sua atenção pessoal, desembaraça-se de toda a ocupação que não é estritamente obrigado a realizar por si próprio. Assim, isolado, não produz mas faz tudo, na condição de “nada fazer, mas de tudo mandar fazer”.