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Decisão e iniciativa
Pode ter-se excelentes qualidades e não possuir senão o estofo dum subalterno; o que revela o chefe é a iniciativa e a coragem das responsabilidades.
Homem que "toma as suas responsabilidades" é aquele que friamente tudo pesou, examinou, que viu os riscos, que, tendo feito o confronto destes com o resultado, julgou que este valia e superava o risco, e, nesse caso, decidiu marchar (Foch).
O chefe que receia as responsabilidades e que limita as suas ambições a coisas fáceis e vulgares carecerá sempre de alma para arrastar os outros.
Uma boa decisão, embora imperfeita, seguida de firme execução, é preferível a espera prolongada duma resolução ideal que nunca ou só tardiamente será executada.
Pedro de Ia Force escreveu o seguinte acerca da mentalidade dos ministros que rodeavam Luís XVI: "O cuidado de não se atender senão ao habitual gerava a timidez e parecia que todo o intento marcado com forte selo pessoal tinha um ar de originalidade perigosa, na qual, se a iniciativa era ousada, se interpunha a etiqueta que retardava tudo, e as ideias, antes de chegar até ao chefe, passavam por tantos escalões, que entretanto, perdia-se a ocasião". Sabe-se a que catástrofe levaram, por fim, esta timidez da alta roda e este conformismo paralisante.
Nada mais perigoso para um chefe do que a impotência para se decidir. A vontade que não é capaz de se fixar na aceitação ou na recusa de um projecto hesita perpetuamente. Decerto, antes da decisão, há que proceder a um exame leal e consciencioso das soluções apresentadas. Todavia, pretender encontrar a solução perfeita e plenamente adequada é uma quimera. Neste sentido, decisão vale mais do que precisão, porque da perpétua oscilação do chefe nasce o enervamento dos colaboradores, a inquietação dos executantes, sem falar das perdas de tempo e de dinheiro; e finalmente, a título de evitar a precipitação, o chefe indeciso provoca novas complicações.
Um chefe é alguém que, para estar sempre pronto para a acção, fez bom repositório de normas práticas, porque a vida é um somatório de pequenas decisões, e é a fidelidade a elas que prepara o chefe para tomar as grandes resoluções no momento mais imprevisto.
Um chefe não deve nunca ficar passivo ou inactivo, porque, se não procura dominar os acontecimentos, será dominado por eles. "A alegria da alma está na acção", tal era a divisa de Shelley que Lyautey adoptara. Na verdade, poder-se-ia dizer que a salvação do chefe está na acção.
O chefe que espera ordens ou tempos melhores para actuar não é verdadeiro chefe.
O chefe é alguém que sabe tomar iniciativas eficazes - o que é uma arte tanto como uma ciência. "É preciso, como dizia Foch, conhecer o seu negócio"; mas é preciso igualmente possuir aquela instrução que ajuda a escolher o momento em que se devem banir o lugar comum e as fórmulas estereotipada.
Se não é conveniente remexer tudo pelo simples prazer de mudar alguma coisa; com mais forte razão não é de aconselhar que se pense que tudo está feito, só pelo receio da inovação. Seria cair em funcionarismo estreito que leva à inépcia muitas pessoas com qualidades.
O que falta a muitos jovens é imaginação e fé no poder do homem apoiado na força de Deus. "Eu posso tudo nAquele que me conforta", dizia S. Paulo. "O terreno dos possíveis é uma superfície elástica", escreveu Maurois. Depende do chefe dilatá-la ou contraí-la.
As noções de responsabilidade e de autoridade estão intimamente ligadas. Não existe uma sem a outra e estão em função uma da outra. Não pode haver responsabilidade senão onde existe autoridade, porque para ser considerado como responsável há que estar em condições de responder. Por outro lado, não haverá autoridade senão onde existe responsabilidade, porque autoridade irresponsável seria uma loucura, um absurdo. A autoridade deve aumentar com a responsabilidade.
A iniciativa pode muito bem não consistir em tomar da sua própria autoridade decisões que são da competência do chefe superior, mas estar antes em provocar as ordens que a situação impõe.
Os Berberes possuem o seguinte provérbio: "Escolhe e ganharás". E se não há motivo para escolher? Pouco importa; escolhe, doutro modo a tua ruína é certa (Maurois).
A capacidade de decisão é uma das qualidades específicas do comando. Se, com efeito, ao chefe falta essa qualidade, dá-se a paralisia da obra; mas se, ao contrário, os seus colaboradores o pretenderem substituir nessa prerrogativa, entra-se na anarquia.
Há que possuir uma natureza amante das responsabilidade. As decisões devem tomar-se antes que nos sejam impostas; as responsabilidades assumem-se de frente. (Foch)
O chefe nato é aquele que concebe com entusiasmo a obra que tem de realizar, decide com ardor e arrasta os outros pela prontidão da sua escolha.
Mais vale ter poucas ideias e realizá-las do que possuir muitas e não realizar nenhuma.
A obediência só será pronta e confiante, se o chefe sabe o que quer e o quer energicamente, isto é, se, manifesta espírito de decisão. Nada mais prejudicial à autoridade do que parecer hesitar, procurar seguir ou recuar. É ao mesmo tempo um golpe na admiração devida à superioridade do chefe e na tranquilidade e sossego legítimos do subordinado.
Já alguma vez se observou um motorista na encruzilhada? Perante o condutor de vontade firme que marcou uma direcção e a mantém, os outros arrumam-se prudentemente; a hesitação é, neste caso, cem vezes mais perigosa do que a audácia. (Maurois)
A obediência passiva não consiste de modo nenhum na humilhação dum homem perante outro homem. É o apagamento voluntário do indivíduo perante a função. Quando estou de sentinela às ordens do meu coronel e me perfilo à sua passagem (e com vivo prazer o faço, vos asseguro), não é perante um homem que pratico tal acção. É diante dum princípio de autoridade que julgo útil e respeitável e sem o qual as sociedades humanas, criadoras da vossa preciosa liberdade, não teriam nunca existido. (Maurois)
A decisão é a solução dum problema cujos dados, porque vivos e humanos, são complexos e delicados. Não é somente questão de inteligência; nem se trata apenas de conclusão matemática de equações algébricas; a decisão é um acto de vontade em que, após o exame cuidadoso dos elementos em presença, o chefe fica completamente comprometido.
O "talvez" de Montaigne é útil ao filósofo, todavia convém mais ao chefe o sim ou o não. (Dautry, Métier d'homme)
Agir, precisamente, "é, a cada minuto, libertar da confusão dos factos e das circunstâncias a questão simples, que se pode resolver naquele instante". (Grasset)
Tende o saber que quiserdes, mas praticai-o. A vontade é um agente de execução. Para cumprir, com êxito, a sua missão, deve, portanto, distinguir-se pela sua pujança, energia, vigor, continuidade de esforços, tenacidade. São estas as qualidades de carácter.
É preciso saber: os conhecimentos são base indispensável. É preciso poder, e para isso há que desenvolver as faculdades de inteligência, de raciocínio, de análise, de síntese. Mas se tudo isto funciona em vão, para que serve?
É preciso saber: os conhecimentos são base indispensável. É preciso poder, e para isso há que desenvolver as faculdades de inteligência, de raciocínio, de análise, de síntese. Mas se tudo isto funciona em vão, para que serve?
Há que decidir-se e querer com vontade firme, inflexível, para chegar até ao fim. O importante é agir, para que alguém realize as suas concepções, e obtenha resultados. Trabalhai. Colocai pedra sobre pedra. Construí. É preciso chegar a resultados... Resultados, vede, eu não sei outra coisa. (Foch)
Um homem que é incapaz de se decidir, que adia sempre para mais tarde, que possui tendência para remeter para o último minuto a escolha duma solução, que não intervém quando a coisa vai mal, não nasceu para ser chefe. O chefe reconhece-se pelo seu espírito de decisão. Viver é optar e optar é sempre sacrificar alguma coisa. Um homem pode ser um sábio, um técnico notável, um filósofo eminente, se não sabe tomar a tempo a decisão que se impõe e fazê-la respeitar, não é um chefe.
É a vontade do chefe que comanda nele a atenção aos problemas, o esforço de concentração do pensamento, e por cima de tudo a escolha da decisão. Decerto, o chefe deve pesar os prós e os contras, mas há que, no momento preciso, e não um minuto mais tarde, eliminar todas as possibilidades menos uma. Quantos homens inteligentes, mas incapazes de escolher, fizeram a ruína das empresas que nunca lhes deveriam ter sido confiadas.
A coragem das decisões é uma das formas essenciais do dom da força que faz os chefes.
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Onde não se diga outra coisa, os pensamentos apresentados são citações de Gaston Courtois (L´art d´être chef)
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